Produtos em “promoção” estão sendo vendidos mesmo sem desconto

O registro é de 23% do volume de itens sendo vendidos no Brasil sem redução de preço


Uma constatação relevante é de que o varejo brasileiro está subsidiando uma a cada quatro vendas, sendo 23% do volume vendido de itens em promoção seria divulgado sem a existência de qualquer redução de preço. Quase o dobro do percentual de incremental de vendas com desconto, isso é um apontamento da pesquisa realizada pela Nielsen.


Mas itens de alta elasticidade de valor de venda representam 62% na avaliação da Nielsen. Antes da pandemia de coronavírus, o preço já era um fator determinante para o consumidor, com a redução do poder de compra da população deve ser intensificada no pós-pandemia.



“As novas dinâmicas do consumo do lar trarão vários ajustes que impactarão as decisões de compra do consumidor curto, médio e longo prazo. Quanto mais o consumidor ficar em isolamento, e maiores foram os impactos na economia, mais profundas serão as mudanças no comportamento do consumidor. Essa pressão da renda já está alterando os gastos com maior procura de produtos de baixos desembolsos”, avalia Brício Castro, líder de Pricing da Nielsen Brasil.


Algumas promoções oferecidas pelos varejistas não estão, de fato, com redução no preço (Foto: mídia Wix)

Ainda de acordo com Castro, é possível enxergar um crescimento nas vendas de produtos de marcas próprias e preços baixos, bem como o aumento de compras de embalagens médias e grandes. Esse movimento acontece pelo consumidor estar preferindo gastar o mesmo valor de sempre, porém em mais quantidade.



Os brasileiros sempre estão atentos nos produtos e preços de promoções, quebrar essa barreira será difícil. Sendo assim, os varejistas precisam entender quais são os produtos que realmente respondem à promoção e ter as estratégias claras. Pois descontos não podem ser usuais e frequentes, a empresa pode perder o efeito sobre o consumidor.


Segundo o líder, no momento de pós-crise sanitária é essencial simplificar para aumentar os lucros e buscar atender o consumidor.


Para que ocorra da melhor forma possível, Brício recomenda ao varejista “observar produtos de maior importância de vendas para suas lojas e alinhá-los aos preços de mercado, diminuir os preços dos itens mais sensíveis e com valores acima do mercado para ganhar volume, aumentar os preços dos produtos menos sensíveis e mais baratos que o mercado para obter lucro e concentrar os esforços de desconto em itens que têm melhor resposta às promoções”.



Fonte: SA Varejo

Texto por Juliana Neves – Redatora EVA

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