O setor de construção civil busca por novas ações para driblar a Pandemia

O cenário mundial é de incertezas, porém é a época para enxergar oportunidades e se reinventar


O cenário da construção civil, no ano passado, era de uma esperança leve para uma recuperação após enfrentar uma crise política e econômica instalada no Brasil. A expectativa para o setor em 2020 era grande, com um objetivo de 3% de crescimento impactando diretamente em geração de emprego e renda. Segundo Wanderson Leite, proprietário de uma empresa no ramo, “a construção civil é um dos maiores motores da economia, representando 7% do PIB brasileiro. Para se ter uma ideia, a cada um milhão investido no setor são gerados 7,64 empregos diretos e 11,4 empregos indiretos”.

Entretanto, com o início da Pandemia de Coronavírus a construção civil voltou a desacelerar. Mas, ao mesmo tempo, em comparação a outros setores, ainda é uma área que continua avançando. “Com mais pessoas em casa, houve um aumento no número de pequenas reformas e tudo isso estimula a loja de materiais de construção a continuar comprando materiais da indústria e esta, por sua vez, a continuar produzindo. Da mesma forma, algumas obras necessitam de mão de obra, que movimenta a prestação de serviços”, explica Leite.


Wanderson Leite, empresário do ramo de construção civil (Foto: divulgação).

É nesse sentido que obras de médio e pequeno porte continuaram em andamento, justamente pelo fato de a construção civil ser considerada um serviço essencial para a população.

Uma época de aprendizado e reinvenção de atendimento e atitudes que podem surgir diversas oportunidades. “Em toda crise surgem novos caminhos. Quando o mercado da construção civil identificou a crise, começou a se reinventar a toque de caixa. Foram criados grupos para discutir o setor, muitas empresas e entidades importantes fizeram lives para debater as maneiras de sair da crise. Isso foi importante inclusive para que essas informações chegassem às empresas de menor porte, que são as que mais sentem o impacto negativo na economia”, conta o empresário.

São possíveis soluções rápidas para instigar empreendedores e trabalhadores continuarem a batalhar dia a dia para manter o setor em crescimento e desenvolvimento. Principalmente, os pequenos negócios, afinal, toda ajuda é bem-vinda para mostrar novas jornadas oportunas para se manterem firmes durante a crise sanitária.

Representação de uma obra (Foto: licença Freepik).

O comportamento do consumidor também foi alterado no sentido de aplicação e/ou investimento da renda. Portanto, o empresário enxergou a necessidade de adaptar os seus produtos e serviços às necessidades do cliente, adequando-se a nova demanda presente nesta crise e obtendo a tecnologia como sua principal aliada.

Devido aos seus mais de dez anos de experiência na construção civil, é que Wanderson esclarece algumas estratégias essenciais para enfrentar a Pandemia com menores danos possíveis:


Informatizar: Essa, talvez, seja a necessidade mais urgente do setor. Nenhum empresário irá investir sem ter certeza, ou uma grande possibilidade, de retorno. Por meio de tecnologias, como o Big Data (captação volumosa de dados), é possível identificar em quais regiões o mercado de construção civil está mais aquecido, quais as demandas de construtoras, empreiteiras e pequenos empreendimentos, entre outras informações. Assim, o lojista pode preparar seu estoque para atender os consumidores, movimentando toda a cadeia do segmento da indústria à prestação de serviços.

Inovar: Pensar em novas maneiras de oferecer serviços e produtos é essencial quando as necessidades e o perfil de consumidor estão em constante mudança. A ideia é fomentar o desenvolvimento de tecnologias, processos, métodos construtivos e testes de materiais que resultarão em produtos de maior qualidade. Além disso, grandes construtoras apostaram em feirões de venda de móveis on-line, algo que vinha se tornando uma tendência no setor. E aí, vale tudo para encantar o comprador: fotos, vídeos e até a realidade virtual.

Digitalizar: A renda de muitas famílias brasileiras foi diretamente afetada pela pandemia, portanto os gastos estão contados. Com mais tempo em casa, aquela parede que precisa de pintura ou a lâmpada queimada começam a ficar mais evidentes. E, por vezes, o reparo é inevitável. Entretanto, todo mundo faz um orçamento, compara preços antes de fazer uma obra e o comércio precisa saber atender esses requisitos.

Expandir: Essa é uma consequência da digitalização. Se antes, o comércio de bairro vendia apenas para as redondezas, hoje ele pode fazer uma forte concorrência a grandes centros de materiais de construção. Se não puder competir em relação aos preços, que seja pela facilidade de entrega do produto em domicílio ou melhores condições de pagamento.

Conectar: Todos sabemos o quanto as empresas precisam vender para sobreviver. Mas são tempos difíceis para todos, inclusive para os consumidores. A comunicação não deve estar alinhada somente às estratégias comerciais, é preciso conhecer seu cliente e dialogar com ele. Você pode ajudá-lo com o que ele precisa? Se ainda não, é preciso se adaptar. Os negócios, cada vez mais, se darão em rede. Saber se conectar é fundamental.

E a expectativa para o futuro é de um maior fortalecimento de todos que trabalham no setor de construção civil, formando, de fato, uma comunidade. “Estaremos mais preparados para um novo cenário. O setor vinha relutando muito em relação à transformação digital, principalmente o canteiro de obras e o comércio. As empresas estão entendendo mais esse momento e aprendendo a se conectar com o seu cliente, entender suas necessidades e como ajudá-lo”, finaliza Wanderson.


Texto por Juliana Neves - Redatora EVA

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