Fim do Farmácia Popular pode aumentar gastos da União com saúde, dizem associações

“O programa precisa ser aprimorado e não extinto”, disse Telma Salles, presidente da ProGenérico



A possibilidade de o governo acabar com o programa Farmácia Popular preocupa a indústria e o varejo farmacêutico. A presidente da ProGenérico, associação que reúne as fabricantes de medicamentos genéricos, Telma Salles, disse que o programa atende cerca de 22 milhões de pessoas com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e asma e, no ano passado, o governo gastou cerca de R$ 2,4 bilhões com o Farmácia Popular.


“O Farmácia Popular se tornou essencial para reduzir os gastos da União com saúde pública. O programa precisa ser aprimorado e não extinto”, disse Telma.


O programa foi lançado em 2004 e, neste ano, até julho, já foram atendidas 14,2 milhões de pessoas que conseguem medicamentos com até 100% de desconto nas farmácias do país.


Segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), neste ano foram vendidos 58,59 milhões de medicamentos, o que gerou R$ 457,5 milhões, índice 17% superior ao do mesmo período do ano passado. Desse volume, cerca de 80% é de medicamento genérico.

Atualmente, 28 mil farmácias particulares participam do programa cobrindo quase todo os municípios do país.


“O Farmácia Popular é considerado, pelo próprio governo e por avaliações feitas em todo o Brasil, o mais bem-sucedido projeto de saúde pública do país. Sua extinção seria lamentável e comprometeria a adesão ao tratamento com medicamentos, o que geraria um custo ainda maior para os cofres brasileiros”, disse, Sergio Mena Barreto, presidente da Abrafarma.


Em novembro de 2017, o governo já havia sinalizado a intenção de acabar com o programa, chegando a fechar 400 lojas da rede própria. No ano seguinte, cogitou reformular o modelo de pagamento para estabelecimentos particulares credenciados.


“O programa corresponde a apenas 1,4% das nossas vendas, mas para a população carente, representa 100% de sua chance de tratamento.”



FONTE: Folha de São Paulo

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