Brasil enfrenta um atraso na implementação do 5G no país

Esta lentidão é em razão do enfrentamento de algumas barreiras


No fim do mês passado, foi enviado ao Congresso Nacional uma proposta de reforma tributária que pode impactar em uma tecnologia, já empacada em nosso país, o 5G. Pois pode implicar no aumento de carga tributária junto às operadoras, iniciando um processo de prejuízo aos investimentos na rede de quinta geração da internet móvel.




Este alerta foi feito pelo Marcos Ferrari, presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil). Em uma avaliação preliminar, esta proposta promove a unificação do PIS e da Cofins que trouxe uma simplificação importante, mas que pode aumentar em dois pontos percentuais na carga tributária. Algo que já é elevado no setor de telecomunicações, registrando -46,7% em 2019. Sendo assim, o Brasil é o país com a maior tributação de banda larga entre 20 maiores mercados mundiais.


“A proposta prejudica o consumidor e a expansão do acesso da população aos serviços de telecomunicações, essencial no cotidiano dos brasileiros e para o desenvolvimento econômico, especialmente no momento de retomada pós-pandemia. [...] O SindiTelebrasil precisa avaliar detalhadamente e apresentar as contribuições ao Congresso Nacional, assim como explicar ao Ministro Paulo Guedes que esse aumento dificulta a digitalização e prejudica a implantação do 5G no Brasil”, afirma Ferrari.


Lentidão

Este aumento da carga tributária, junto às operadoras, pode atrasar a implementação do 5G. Alguns eventos demonstram essa lentidão, como o leilão das frequências que foi adiado para 2021 e a realização de testes em campo em razão do coronavírus. Entretanto, com a flexibilização do isolamento é esperado que retornem nos próximos meses.


A internet móvel está cada vez mais presente na vida dos brasileiros, por isso, a lentidão do 5G não é vantajoso (Foto: mídia Wix)

A implementação enfrenta outras barreiras como interferência no espectro do sinal de TV parabólicas e satélites, além de politização com a Huawei.


“Tenho que ter pelo menos uma estratégia de mitigação. Imagino que no fim de 2021 e começo de 2022 comece a ter implementação piloto. [...] É preciso ter uma infraestrutura preparada. Há conversa com as prefeituras para instalação de antenas, porque o 5G exige uma quantidade grande e a regulamentação é das prefeituras. Queríamos fazer o leilão em março, mas tivemos que segurar”, disse o Ministro da Ciência no começo do ano, Marcos Pontes.


Burocracia

Outro problema possivelmente será enfrentado pelo país é a adoção rápida da instalação de antenas. Que envolve uma burocracia pública e no começo de julho o país atingiu a marca de 100 mil antenas de telefonia e internet móvel ativas em todo o território. Entretanto, a quantidade ainda é considerada insuficiente de acordo com especialistas.


“Instalar antenas no Brasil, mesmo tendo investimentos disponíveis para tal, não é tarefa fácil. Há no país mais de 300 leis municipais que dificultam e, muitas vezes, impedem a instalação dessa infraestrutura. [...] Em muitos municípios faltam legislações mais modernas, o que impede o avanço ainda mais rápido das redes. Em algumas cidades o licenciamento leva até dois anos para sair”, afirma Ferrari.


O ritmo do licenciamento de antenas feitos pelas prefeituras necessita de uma aceleração para acompanhar a demanda da população por serviços. Afinal, a cada minuto, 33 novos chips de 4G são ativados no país e a internet tem sido essencial na vida cotidiana dos brasileiros.



De acordo com a SindiTelebrasil, as metrópoles brasileiras existem mais de quatro mil pedidos de instalação de antenas apresentados pelas operadoras. Ao total, esses pedidos representam R$2 bilhões em investimentos, aproximadamente.


Desperdício de 5G

Estre atraso de implementação do 5G no Brasil faz com que haja um desperdício de potencial econômico. Uma pesquisa realizada em conjunto pela consultoria OMDIA e a Nokia aponta a quinta geração com potencial de gerar mais de R$5,5 trilhões nos próximos 15 anos.


É um estudo que carrega o nome de “Um passo à frente: como o 5G impulsionará a produtividade e a transformação digital no Brasil” também indica seis verticais que serão beneficiadas pela implementação: os TICs (tecnologia da informação e comunicações - US$ 241 bilhões); governo (US$ 189 bilhões); manufatura (US$ 181 bilhões); serviços (US$ 152 bilhões); varejo (US$ 88 bilhões) e agricultura (US$ 76 bilhões).


De acordo com a visão de Ari Lopes, seniôr manager da Americanas OMDIA, “O atual momento da pandemia mostrou claramente que as redes de telecomunicações têm um papel fundamental para manter a população conectada em todos os aspectos. Desta forma, o 5G trará transformações em todas as funções e níveis de negócios, sendo essencial para o desenvolvimento do Brasil, impulsionando as inovações e impactando positivamente na vida das pessoas e da sociedade como um todo", afirmou o executivo.



Fonte: Canaltech

Texto por Juliana Neves - Redatora EVA

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