As transformações causadas pela pandemia

Empresários da cadeia da construção reuniram-se em videoconferência para discutirem os desafios e as oportunidades do setor. Com o tema “Vencendo os impactos na construção civil e construindo o futuro”, o encontro virtual ocorreu, hoje, 14 de maio, e contou com a participação do CEO do Fesa Group, promotora do evento, Carlos Guilherme Nosé; do CEO do Grupo Tigre, Otto von Sothen; do presidente da AkzoNobel para América do Sul, Daniel R. Campos; e do CEO da Saint-Gobain Distribuição Brasil, com as bandeiras Telhanorte e Tumelero, Juliano Ohta.





Diante das dificuldades impostas pela pandemia à economia e às empresas, indústria e comércio buscam formas de enfrentar a situação e reduzir as perdas e esperam a consolidação de mudanças que já estão ocorrendo. Esses foram os pontos principais apresentados pelos empresários durante o webinar, mediado por Nosé, que destacou que o setor da construção representa de 6% a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) e era responsável pela criação de 20% dos postos de trabalho criados no início da recuperação econômica que o País vinha passando.

Durante o encontro os empresários revelaram como têm enfrentado os efeitos dessa crise, até então nunca enfrentada pelas últimas gerações. “É um desafio equilibrar a sobrevivência do negócio, das pessoas e da comunidade”, afirmou Sothen.


Na avaliação de Campos, a crise chegou com muito mais força do que o esperado pela companhia, mas o foco principal foi operar com segurança. “Não podíamos parar porque atendemos a setores essenciais, mas precisamos entender como operar com distanciamento e segurança”, disse.

Na Telhanorte, a preocupação foi a mesma, além de enfrentar o fechamento total das lojas e ver o faturamento encolher até 95% em certo período. “Ainda bem que tínhamos o e-commerce, que reagiu rápido e vimos que o comportamento do consumidor mudou, buscando mais produtos para manutenção, decoração e faça você mesmo”, observou Ohta.

O impacto inicial sofrido pelas empresas foi de queda das vendas, além da necessidade de cuidar da segurança dos colaboradores e manter os negócios em andamento, então numa nova realidade. Depois de finalizar o mês de março com quedas de vendas e faturamento mais acentuadas, todas registraram resultados melhores em abril e maio, fruto de avaliações e ações rápidas, bem como a intensificação da comunicação entre as diversas esferas da operação, com mais transparência, aspecto ressaltados pelos três executivos.



A pandemia tem representado um período de mudanças para as empresas. Na Telhanorte, por exemplo, são criados dois a três serviços semanais para atender ao cliente e estimulá-lo a ficar em casa. “Nossa produtividade mudou de forma espetacular. A crise muda, revela e acelera o que já existia. Nunca estivemos tão próximos de nossos colaboradores como agora, mesmo de forma virtual. Fez com que fizéssemos mais, melhor e com menor custo. Por exemplo, colocamos drive-thru em dez lojas em três dias”, comentou.

Campos também vê a situação da mesma forma. “Andamos cinco anos em 50 dias. O home-office chegou para ficar, embora o escritório seja um espaço de convivência, geração de ideias e precisa de um balanço”, disse.



Na avaliação de Sothen, não só as questões da tecnologia e gestão fazem diferença, como também os humanos, como solidariedade, e algumas habilidades, como resiliência e pró-atividade estão em sendo fatores de transformação dentro das companhias e que deverão perdurar. “Há necessidade de revisão estratégica e ter uma visão clara sobre a trilha de transformação do negócio, nesse novo normal”, disse, referindo-se ainda à sustentabilidade entre as questões que estão ganhando relevância.

Para os executivos, algumas transformações surgiram para ficar, numa realidade global, provavelmente, de mais pobreza. “É fundamental reduzir custos, aumentar a produtividade. Acabou o ‘faço tudo sozinho’.


O momento exige flexibilidade, estreitar parcerias e o cliente e o consumidor vão lembrar disso”, acredita Sothen. “A cadeia precisa trabalhar melhor junta”, comentou.

Ciente sobre os aprendizados trazidos pela pandemia, Campos também vê oportunidades. “A transparência é importante e o valor está na confiança. Acredito numa integração com olhar empático. A percepção de valores deve mudar diante da perspectiva da morte que essa pandemia traz".

Apesar das incertezas a respeito do futuro próximo, Ohta vê boas perspectivas com o novo olhar que os consumidores estão voltando às suas casas. “As pessoas estão enxergando com mais cuidado a casa e isso gera negócio”, revelando que estão em crescimento os consumidores que estão iniciando obras durante a pandemia, levando a melhores resultados nas vendas, com picos de 100% do esperado.



A expectativa de Sothen é que a solidariedade tenha vindo para ficar, o que tem um peso maior numa sociedade tão desigual como a brasileira. “Há uma demanda reprimida, déficit habitacional, grandes oportunidades em saneamento básico, além da industrialização no canteiro de obras”, avaliou.

A AkzoNobel trabalha com três cenários para o pós-pandemia, em diferentes níveis de gravidade, e os planejamentos ocorrem de acordo como se dá a realidade. “Tenho receio de maior polaridade no País, porque estaremos num mundo mais pobre. Mas gostaria de que o caminho fosse o do meio, com mais pluralidade, discussões e pessoas diferentes sendo ouvidas e que todos discutissem para pensar num futuro melhor para todos”, finalizou.




Fotos: Reprodução Internet

FONTE: RevistaAnamacoOnline

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